segunda-feira, 24 de junho de 2013

O antídoto da vida de um Rapper

Um menino que enfrenta os problemas da vida através da música. Acima do sentido espiritual, a musicalidade é um antídoto para o jovem baiano Hiran Fernandes Santos. Com 18 de idade, ele encara um ano de pré-vestibular intenso e revela que o RAP é seu prazer secreto.

Por Lucas Panek



Acredita nos signos?
Não, não. Sou o menos supersticioso possível. Acredito que as coisas que me acontecem são resultados de outras que fiz. Tento não arranjar desculpas em outras explicações que fujam, o mínimo que for, da ideia que eu sou responsável pelo que conquisto. Eu - meu humor e minhas particularidades - sou fruto da vivência e convivência no meu meio social.

Então, você não vê sentido espiritual na música? Mesmo ela tendo definições como "o ritmo eterno da vida"? Ou seria ela a sua filosofia de vida?
Pra mim, a música, no geral, é essencial pra uma boa vida. Não conheço ninguém que não tenha algum apego musical, acho que viver sem música não deve ser coisa boa. Prefiro não chegar mais longe que isso, no caso, "espiritualmente" falando. Não sei quanto às crenças,  mas posso afirmar de boca cheia que a música faz a diferença na vida de qualquer um. E no meu caso, de uma maneira estrondosa, pois convivo com alguns problemas um tanto quanto complicados. E, na música, eu consegui achar um jeito de melhorar, saber lidar com isso e levantar meu astral. Mas é só até aí que eu me atrevo chegar. A música me faz e faz qualquer um viver melhor.

Que problemas seriam esses?
Eu convivo com um transtorno de ansiedade avançado. Sempre fui muito ativo e muito ansioso, desde guri. Sou daqueles que ficam nervoso, só que mais do que o normal.  Sempre passei mal por besteira, terminei desenvolvendo um problema de saúde por causa disso. Comecei a ter uns ataques de pânico e várias outras coisas há um tempo atrás. Frequentei psiquiatra e psicólogo por mais de 1 ano, fiquei um tempão sem ir pro colégio, fiz tratamento com remédio controlado e, até hoje, tomo calmante. Ajuda pra caralho. De vez em quando os sintomas aparecem. Daí tudo volta, mas aprendi a conviver com isso e foi mais por causa da música. Quem me conhece desde essa época, sabe. Não falo muito sobre isso, mas desde que comecei a  levar o canto a sério, minha vida mudou. É a melhor terapia que eu poderia ter! Lógico que família, amigos, a equipe do colégio e o meio em si ajudam pra caralho também né? Mas, principalmente, a música. Digamos que foi nessa época que eu realmente comecei a cantar.
É por isso que eu digo velho: A música muda qualquer um. Eu não me sinto tão calmo como na hora que eu to cantando.Falo muito, não sei esperar... Mas na hora que eu tô mal mesmo, é  só fechar o olho e botar um pen drive com  algum instrumental no rádio e cantar (acredite, é tipo a injeção de insulina pra quem tem diabetes).Eu tenho no meu bolso o tempo todo um pen drive cheio de musicas em instrumental. E, ah sim, bota o pen drive antes, depois fecha o olho. Errei a ordem.

E que músicas figuram aí nesse pen drive?
Rapaz... Tenho de Los Hermanos, Nando Reis e  Coldplay ( e agora a parte engraçada) a Jay-Z, Kanye, Eminem e muita coisa desse estilo, que é meu prazer secreto. Me divirto cantando, ou pelo menos tentando. Mas até Mariah Carey e Martina Mcbride rolam nele.

Conte-me sobre o seu prazer secreto.
Desde guri, eu sempre  achei foda o estilo "gangsta" dos rappers que eram famosos na época. Todos os dias eu ia, às 18h, pra frente da tv assistir o "Disk Mtv" porque eu sabia que algum clipe do 50 Cent ou Jay-Z ia estar nas paradas. Daí com o tempo passando, eu fui tentando cantar igual a eles,  sempre me esforçando mais... Até o dia que eu consegui pegar uma música inteira, não lembro qual foi, mas sei que não parei mais desde então. Apesar disso, não acho que seria um estilo que eu poderia e gostaria de sustentar na música. Por isso digo que é o meu prazer secreto.

E qual é o estilo que você poderia sustentar?
Rapaz... De acordo com o meu tipo de voz , com meu gosto musical e com o que eu ouço das pessoas que me ouvem cantar, eu pretendo, se algum dia puder viver de música, sustentar um estilo partindo de uma vibe Pop/Rock romântica, mas estando aberto a inserir nisso influências, por exemplo, de uma pegada mais Soul. Ou seja, eu sonho em ficar nessa vibe tipo Los Hermanos, porém na hora de cantar Negro Gato, com uma pegada mais Soul, com mais atitude, dou um agudo no fim e tal. Eu estou super aberto a isso também.

E quem te ajudou a construir essa vibe musical? Quais são suas influências?
Eu convivo com gente que curte diversos tipo de música, bem perto de mim. Meu pai ouve um tipo, minha mãe ouve outro, meu irmão ouve outro e por aí vai... Eu aprecio vários estilos. Tem amigos meus que cantam rock progressivo, tem os que são mais alternativos, tem aqueles que preferem os clássicos e a MPB, e lóógico tem aquela galera do pagodão. Eu gosto de quase tudo isso, mas acho que foi mais uma decisão pessoal mesmo. De tudo que eu fui apresentado durante minha vida, essa vibe é a que mais me deixou encantando e é a que eu me sinto melhor cantando. É mais uma coisa minha. Mas ainda assim, o fato de ter tido influência de vários tipos de música perto de mim, me faz olhar a música como um todo. Daí eu me sinto seguro dizer que sou amante de música, no geral!



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