Maria
Carvalho, foi esse o nome artístico adotado pela cearense Maria de Fátima Lima.
A jovem, de 20 anos, enxerga na música um instrumento para compreender o mundo
e superar as dificuldades da sua deficiência visual. Conheça um pouco sobre a
mensagem musical que ela tenta transmitir:
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| Com apenas um violão e a sua voz, um mundo se constrói no ritmo das suas músicas |
1. Fortaleza é uma cidade
litorânea, gosta do calor das pessoas do povo praieiro?
Sim, eu
adoro! Aqui todos são muito receptivos, e por ser uma cidade grande, tem muitas
pessoas de fora vindo pra cá, trazendo muitas culturas diferentes. Sempre estou
conhecendo novas pessoas.
2. Como aconteceu a escolha do seu nome
artístico?
Bom, há
muito tempo atrás, quando eu tinha por volta de 17 anos e conheci a fundo a
internet, eu tinha algumas amigas que me chamavam apenas de Maria e, quando
comecei a mostrar meus áudios, elas me perguntaram se eu já tinha um nome
artístico. Eu disse que não. Então elas perguntaram meu nome todo. Contei que
era Maria de Fátima Carvalho Lima e elas me sugeriram Maria Lima ou Mary
Carvalho. Achei que os dois nomes não combinavam comigo. Já que eu não sei
cantar músicas internacionais, Mary Carvalho não seria uma boa idéia, e Maria
Lima ficava muito estranho. Então optei por juntar Maria Carvalho e todos
adoraram. Passei a utilizar esse nome. Ficou um simples e sério.
3. Como você faz uso da música na sua vida?
Bom, em
minha vida a música está sempre presente. Gosto de estudar através das músicas,
como em história, ouvindo músicas das épocas mais antigas, ou em português,
olhando as músicas com letras cheias de palavras difíceis. Utilizo ela também
quando estou triste, feliz, com raiva, tranquila, sempre está presente mesmo.
Agora
trabalhar com ela, bom, não a uso para ganhar dinheiro ainda. Só participei até
hoje de dois festivais musicais que era ofertado dinheiro aos 3 primeiros
ganhadores, e desses dois festivais ganhei um deles em segundo lugar. Mas fora
esses festivais, só utilizava a música mesmo como uma forma de me fazer feliz,
como um hobby e ao mesmo tempo uma elevação de espírito. Cantei em peças
teatrais, em escolas, corais infantis e tenho covers pela internet. Pretendo,
um dia, trabalhar utilizando a música como meio de trabalho.
4. Você aproveita essa riqueza de cultura para
divulgar sua música?
Amo Sandy, desde meus 2 anos, acho que até desde antes.
Passei a gostar da voz dela quando ouvia minha prima cantar as músicas dela pra
eu dormir. Logo depois, quando ouvi a voz dela mesmo, ouvi a suavidade e nunca
mais deixei de ouvir suas músicas. Ela foi evoluindo com o tempo mas a suavidade
da voz dela nunca a deixou. Queria ser assim também, não que eu queira ser
igual a ela e tente imita-la, mas gostaria de ter uma voz no qual fizesse as
pessoas refletirem sobre a letra, assim como ela fez comigo em suas músicas e
faz até hoje.
5. Nunca falaram que seu timbre é parecido com o
dela?
(Risos) Falaram
sim, e sempre levo isso como um enorme elogio. Também disseram que minha voz
parece com a da Manu Gavassi também, ou Pamela, todas são ótimas cantoras. Mas
a Sandy, pra mim, é incomparável, sempre fico feliz quando alguém fala que meu
timbre se assemelha com o timbre dela, mesmo que seja um pouco.
6. Com relação a sua dificuldade visual, como a
música te ajuda?
Bom, a
música me fez e me faz entender o dia a dia através das letras, o que acontece
com o mundo. Ela me ajuda, me trazendo informações indiretas. Também, me faz me
expressar de uma maneira imperceptível de como esta meu humor. Tento sempre
transmitir através do que canto meus sentimentos, sem precisar machucar
ninguém. E o principal, a música me aproxima de pessoas, de amantes da música
que não se importam por eu ser deficiente visual, que me aceitam como eu sou. Sem
a música, isso poderia ser diferente. Ela já me fez conquistar tantos amigos
que nem consigo contar, até mesmo na escola, acabava fazendo amizade com
pessoas que me viam ouvindo músicas que eram o estilo delas também. Graças
a música, raramente estou sozinha. Ou ela me faz companhia, ou faz com que
alguém me faça companhia rs.
7. Qual mensagem você tenta passar com a sua
música?
Geralmente
eu tento passar que o amor é a base de tudo, tento mostrar que apesar da maldade
do mundo, o amor sempre vence. Dentre outras coisas também tento falar de
superação, como a música mais atual que cantei e postei no Youtube, Pra ser feliz do Daniel, que fala de motivação, de que,
apesar de tudo, algumas pessoas nunca deixam de ser felizes, impulsionando as
outras a seguir em frente. Quando a cantei, pensei também em minha própria
vida, estava em reta final pra fazer um vestibular, e me surgia aquela dúvida: “Será
que é isso mesmo que vou fazer? Ou será que eu vou conseguir passar?”. Quando
ouvi essa música, minhas duvidas deram lugar a certeza de que, se eu não
passar, pelo menos dei o melhor de mim, e nem por isso irei deixar de ser
feliz. pois há muitos outros problemas no mundo.
8. E quais as suas expectativas para a
competição?
Bom, eu estou
muito animada com a competição! Alguns dos que se inscreveram já conheci em
outras competições, e são muito bons. Sei que eles vão arrasar, eu vou dar o
melhor de mim, e espero aprender mais, e claro fazer novos amigos!
9. Como
se saiu nas outras competições?
Bom, eu
me saí melhor do que eu esperava. Eu achava que não me sairia bem, achava que
não tinha potencial o bastante para participar de uma competição, havia me
inscrito em outras competições só pra ver no que ia dar, e me surpreendi quando
em uma delas eu cheguei a ficar entre os 8 finalistas. Eu não ganhei, mas
confesso que ganhei bem mais do que eu ousaria ganhar, ganhei uma autoestima lá
em cima kk
10. O que você diria para aqueles que ficaram com
medo de se inscrever?
Diria
para não ter medo de fazer o que gosta. Não ter medo de lutar pelos seus
sonhos. O medo é normal, principalmente quando se vê o nível em que muitos
cantores estão, eu enfrentei este medo, sei que tem muitas pessoas boas lá
cantando e mostrando seu talento. Mas às vezes, enfrentando o medo, a gente
descobre que também tem esse potencial, que a gente também pode evoluir
cantando. Por que não fazer isso competindo de maneira amigável? Por que não
mostrar sua voz para todos? O medo as vezes nos faz perder o Céu, enquanto
olhamos para as estrelas.


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