quarta-feira, 25 de junho de 2014

A menina que enxerga com o coração

Maria Carvalho, foi esse o nome artístico adotado pela cearense Maria de Fátima Lima. A jovem, de 20 anos, enxerga na música um instrumento para compreender o mundo e superar as dificuldades da sua deficiência visual. Conheça um pouco sobre a mensagem musical que ela tenta transmitir:

Com apenas um violão e a sua voz, um mundo se constrói no ritmo das suas músicas
1. Fortaleza é uma cidade litorânea, gosta do calor das pessoas do povo praieiro?

Sim, eu adoro! Aqui todos são muito receptivos, e por ser uma cidade grande, tem muitas pessoas de fora vindo pra cá, trazendo muitas culturas diferentes. Sempre estou conhecendo novas pessoas.

2. Como aconteceu a escolha do seu nome artístico?

Bom, há muito tempo atrás, quando eu tinha por volta de 17 anos e conheci a fundo a internet, eu tinha algumas amigas que me chamavam apenas de Maria e, quando comecei a mostrar meus áudios, elas me perguntaram se eu já tinha um nome artístico. Eu disse que não. Então elas perguntaram meu nome todo. Contei que era Maria de Fátima Carvalho Lima e elas me sugeriram Maria Lima ou Mary Carvalho. Achei que os dois nomes não combinavam comigo. Já que eu não sei cantar músicas internacionais, Mary Carvalho não seria uma boa idéia, e Maria Lima ficava muito estranho. Então optei por juntar Maria Carvalho e todos adoraram. Passei a utilizar esse nome. Ficou um simples e sério.

3. Como você faz uso da música na sua vida?

Bom, em minha vida a música está sempre presente. Gosto de estudar através das músicas, como em história, ouvindo músicas das épocas mais antigas, ou em português, olhando as músicas com letras cheias de palavras difíceis. Utilizo ela também quando estou triste, feliz, com raiva, tranquila, sempre está presente mesmo.
Agora trabalhar com ela, bom, não a uso para ganhar dinheiro ainda. Só participei até hoje de dois festivais musicais que era ofertado dinheiro aos 3 primeiros ganhadores, e desses dois festivais ganhei um deles em segundo lugar. Mas fora esses festivais, só utilizava a música mesmo como uma forma de me fazer feliz, como um hobby e ao mesmo tempo uma elevação de espírito. Cantei em peças teatrais, em escolas, corais infantis e tenho covers pela internet. Pretendo, um dia, trabalhar utilizando a música como meio de trabalho.

4. Você aproveita essa riqueza de cultura para divulgar sua música?

Amo Sandy, desde meus 2 anos, acho que até desde antes. Passei a gostar da voz dela quando ouvia minha prima cantar as músicas dela pra eu dormir. Logo depois, quando ouvi a voz dela mesmo, ouvi a suavidade e nunca mais deixei de ouvir suas músicas. Ela foi evoluindo com o tempo mas a suavidade da voz dela nunca a deixou. Queria ser assim também, não que eu queira ser igual a ela e tente imita-la, mas gostaria de ter uma voz no qual fizesse as pessoas refletirem sobre a letra, assim como ela fez comigo em suas músicas e faz até hoje.

5. Nunca falaram que seu timbre é parecido com o dela?

(Risos) Falaram sim, e sempre levo isso como um enorme elogio. Também disseram que minha voz parece com a da Manu Gavassi também, ou Pamela, todas são ótimas cantoras. Mas a Sandy, pra mim, é incomparável, sempre fico feliz quando alguém fala que meu timbre se assemelha com o timbre dela, mesmo que seja um pouco.

6. Com relação a sua dificuldade visual, como a música te ajuda?

Bom, a música me fez e me faz entender o dia a dia através das letras, o que acontece com o mundo. Ela me ajuda, me trazendo informações indiretas. Também, me faz me expressar de uma maneira imperceptível de como esta meu humor. Tento sempre transmitir através do que canto meus sentimentos, sem precisar machucar ninguém. E o principal, a música me aproxima de pessoas, de amantes da música que não se importam por eu ser deficiente visual, que me aceitam como eu sou. Sem a música, isso poderia ser diferente. Ela já me fez conquistar tantos amigos que nem consigo contar, até mesmo na escola, acabava fazendo amizade com pessoas que me viam ouvindo músicas que eram o estilo delas também. Graças a música, raramente estou sozinha. Ou ela me faz companhia, ou faz com que alguém me faça companhia rs.

7. Qual mensagem você tenta passar com a sua música?

Geralmente eu tento passar que o amor é a base de tudo, tento mostrar que apesar da maldade do mundo, o amor sempre vence. Dentre outras coisas também tento falar de superação, como a música mais atual que cantei e postei no Youtube, Pra ser feliz do Daniel, que fala de motivação, de que, apesar de tudo, algumas pessoas nunca deixam de ser felizes, impulsionando as outras a seguir em frente. Quando a cantei, pensei também em minha própria vida, estava em reta final pra fazer um vestibular, e me surgia aquela dúvida: “Será que é isso mesmo que vou fazer? Ou será que eu vou conseguir passar?”. Quando ouvi essa música, minhas duvidas deram lugar a certeza de que, se eu não passar, pelo menos dei o melhor de mim, e nem por isso irei deixar de ser feliz. pois há muitos outros problemas no mundo.



8. E quais as suas expectativas para a competição?

Bom, eu estou muito animada com a competição! Alguns dos que se inscreveram já conheci em outras competições, e são muito bons. Sei que eles vão arrasar, eu vou dar o melhor de mim, e espero aprender mais, e claro fazer novos amigos!

9. Como se saiu nas outras competições?

Bom, eu me saí melhor do que eu esperava. Eu achava que não me sairia bem, achava que não tinha potencial o bastante para participar de uma competição, havia me inscrito em outras competições só pra ver no que ia dar, e me surpreendi quando em uma delas eu cheguei a ficar entre os 8 finalistas. Eu não ganhei, mas confesso que ganhei bem mais do que eu ousaria ganhar, ganhei uma autoestima lá em cima kk

10. O que você diria para aqueles que ficaram com medo de se inscrever?

Diria para não ter medo de fazer o que gosta. Não ter medo de lutar pelos seus sonhos. O medo é normal, principalmente quando se vê o nível em que muitos cantores estão, eu enfrentei este medo, sei que tem muitas pessoas boas lá cantando e mostrando seu talento. Mas às vezes, enfrentando o medo, a gente descobre que também tem esse potencial, que a gente também pode evoluir cantando. Por que não fazer isso competindo de maneira amigável? Por que não mostrar sua voz para todos? O medo as vezes nos faz perder o Céu, enquanto olhamos para as estrelas.

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