terça-feira, 28 de julho de 2015

UM CÁLICE DE DOÇURA

Claiton Czizewski

Ela é natural de Francisco Alves (cidade que traz no nome uma homenagem a um cantor brasileiro de sucesso nos anos 20, quando era considerado  o "Rei da Voz"). Atualmente, mora em Palotina, onde conclui a faculdade de Ciências Biológicas, mas a grande paixão dessa paranaense é a música. É com doçura e delicadeza que ela canta todo o amor que tem pela MPB e busca se tornar a primeira mulher a vencer o Cyber Vocal. Na entrevista a seguir, você conhece um pouco mais sobre Cíntia Santos e pode ouvir de novo a trajetória da moça até a final da competição.



1) Quando, como e por que a música entrou na tua vida?
Não sei dizer, canto desde que me entendo por gente. Quando eu era criança, meu sonho era ser uma cantora famosa, mas eu sempre fui muito tímida e morria de vergonha de cantar em público. Aos poucos, fui deixando o sonho de lado pra ter outros planos, mas a música sempre esteve presente na minha vida.

2) Você já teve uma fase sertaneja... É isso mesmo?
https://www.youtube.com/watch?v=z5D86Nwe0TE
Como você joga meu passado negro na roda assim?!! Brincadeira. Sou do Noroeste do Paraná, berço de sertanejos como Chitão e Xororó (já paguei caro pra ir em um show deles socorro). Meu pai só escutava sertanejo raiz e foi primeiro contato que eu tive com a música. E claro, foram as primeiras músicas que cantei na vida; mais tarde, eu comecei a ouvir outras coisas sem influências dos meus pais e mudei o repertorio também; principalmente quando surgiu o sertanejo universitário.  Digamos que eu peguei uma certa birrinha com a perda de qualidade e com as letras e melodias repetitivas e acabei mudando totalmente de estilo. 

 3)  Durante a competição, você já tocou violão e ukelelê e afirma que aprendeu esses instrumentos autodidaticamente. Como foi esse processo?
Quando criança, eu morria de vontade de aprender a tocar teclado ou violão, mas meu pai sempre dizia que era perda de tempo e que eu iria desistir; e, por isso; não iria me pagar curso. Meu avô tinha um violão velho na casa dele, em que tanto ele como meus tios aprenderam a tocar. Eu sempre insistia pra ele me emprestar, mas o velhinho tinha um ciúme danado daquele violão, porém pela idade avançada, já não tocava mais. De tanto insistir, ele me emprestou, ganhei umas revistinhas da minha tia (que morava em outro estado) e fui por tentativa e erro (não sabia nem como afinar o instrumento). Com a base do violão, fui aprendendo outros. Como tenho déficit de atenção, ser autodidata tornou-se uma necessidade pra mim, pois fico em órbita em qualquer aula e esqueço o que as pessoas falam em 2 segundos. Mas digo que aprender sozinha foi melhor, pois foi no meu tempo, do meu jeito, sem “copiar” maneiras de nenhum professor.

4) Por outro lado, você está em dúvida entre um mestrado em Paleontologia e uma segunda graduação em Música? Qual a importância do estudo formal para um cantor?
Duas opções pra quem tem vocação pra pobreza L. Este ano, tive um contato maior com pessoas formadas em música e com a teoria musical, harmonias, formação de acordes, leitura de partituras etc; e eu acho tudo isso um máximo. Fazer uma graduação em música seria uma realização mais pessoal do que profissional. Contudo, possibilidade de poder trabalhar com o que eu mais gosto de fazer, de quem sabe poder dar aulas de música, isso seria um sonho para mim. 

5)  Você já participou de festivais de música na tua cidade. Fale um pouco sobre isso...
Eu sempre fui a rainha do 5º lugar, porque sempre ficava em 5º nos festivais de que participava. Mas também sempre escolhia músicas erradas, que não valorizavam minha voz ou muito lineares em relação a musicas de outros concorrentes. Este ano escolhi "O bêbado e a equilibrista", do João Bosco, mais pela conotação política. Cantar uma música com uma forte critica à ditadura militar em uma cidade conservadora, onde parte da população quer a volta dos militares, seria algo muito prazeroso para mim e, de fato. Foi.  Subir no palco e interpretar uma canção eternizada pela Elis Regina foi um dos momentos mais incríveis da minha vida e resultou na primeira colocação. A grana que ganhei também salvou minha vida. 

6) E quanto às competições musicais virtuais, de quantas já participou e que importância elas tiveram na sua trajetória como cantora?
Participei de três, e nem sei mensurar o quanto contribuiu. Peguei cada comentário, tentei melhorar a cada critica, e cada elogio me estimulava a fazer melhor. Também me ajudou a me autoconhecer. Antes do Cyber, eu nunca me arriscava no agudo, porque achava meus agudos feios e enjoativos. Sempre achei que minha extensão era pequena e cantava apenas músicas lineares.

7)  Quais as principais diferenças entre um festival e uma competição virtual de música?
Em festival, você vai lá, canta e acabou. Competições virtuais têm toda a questão do aprendizado, das contribuições dos técnicos/jurados, das várias fases. Lógico, o festival é ao vivo, a pressão é maior porque não se pode errar; e em competições virtuais,  pode-se gravar várias vezes até acertar. Em festivais tem prêmios até o 5º, e dependendo da cidade, são quantias bem significantes.

8) Especificamente sobre o Cyber Vocal, por que você merece ser a primeira mulher a vencer a competição?
Porque sou foda, amores... brincadeira. Seria uma honra pra mim ser a primeira mulher a vencer o Cyber. Mas o meu objetivo na competição eu já cumpri, que era tentar chegar o mais longe possível e fazer o meu melhor a cada fase. Agora não tem mais fase pra avançar L. Já pode voltar para o top 6 pelo menos?!! 

9)  E, se não for você, quem merece vencer: Lincoln ou Victor? Por quê?
Os dois são ótimos, mas gosto da voz e interpretações do Lincoln. Aquela versão de “Geni e o Zepelin” foi um dos momentos mais marcantes do Cyber

10) Se pudesse editar a sua participação, o que você alteraria?
https://www.youtube.com/watch?v=RPCQFeShRHQ
Eu alteraria as notas e me colocaria em primeiro em todos os temas... brincadeira.. não mudaria nada.  Fiquei bastante satisfeita com toda a minha historia no Cyber, dei o meu melhor na medida do possível. 

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